quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Salário é renda?

Salário é renda? Esta é uma pergunta recorrente em várias situações, especialmente por aqueles violentados pelo imposto de renda.
O senso comum diz que não, pois salário é o pagamento do trabalho, enquanto a renda está vinculada a remuneração de capitais e imóveis ou outras fontes que gerem ganhos e que não seja o trabalho.
A lei, por meio do Código Tributário Nacional, estabelece no Artigo 43, renda como “o produto de capital, do trabalho ou da combinação de ambos”. Portanto, pela lei, o salário, por ser o produto do trabalho, é renda. Tanto que é a partir da concepção legal que se define o famigerado imposto de renda. No entanto, nem o senso comum, nem a lei, estabelecem uma resposta definitiva para a questão título.
A resposta à questão título envolve a análise de duas outras palavras correlatas: remuneração e rendimento. Os três termos muitas vezes se confundem.
A remuneração é o ato de recompensar, vem do latim remunerare. Os recursos de produção quando usados, são recompensados por meio de uma remuneração. Em termos gerais são tipos de remuneração: o salário, o juro, o aluguel, o lucro e os royalties.
O rendimento é o ganho líquido. Da remuneração principal deduzem-se as despesas para se obter este ganho. Essas despesas assumem várias formas. Para fins desta discussão tome-se um trabalhador que precisa se alimentar, ter uma habitação, ter lazer, para si e sua família. Os gastos vinculados ao atendimento destas e de outras necessidades formam as despesas. Do salário, excluídas as tais despesas, tem-se o rendimento a ser poupado ou direcionado para um consumo de longo prazo.
Voltando a questão inicial, para uma resposta mais qualificada é necessário buscar a etimologia da palavra renda. O termo renda deriva do latim reddere que significa restituir, devolver, pagar. Assim, na origem, renda é uma modalidade de pagamento.
Na Economia o termo foi abordado mais profundamente por David Ricardo, um economista que viveu no início do século XIX. Para Ricardo renda era a “porção do produto da terra pago ao seu proprietário pelo uso das forças originais e industriais do solo”. Na visão de Ricardo o proprietário da terra a cede para um agricultor, que a explora produtivamente, e emprega parte da produção para remunerar a cessão do direito de uso. Em inglês, renda é rent e significa aluguel. No contexto ricardiano, portanto, renda é o pagamento do aluguel da terra.
O termo renda, com o tempo, passou a designar de forma genérica a remuneração de qualquer fator de produção, em qualquer setor produtivo. Afinal, trabalho, capital, recursos naturais, tecnologia e capacidade empresarial são recursos produtivos “alugados” para um sistema de produção.
Em termos específicos, cada recurso tem uma remuneração própria: capacidade empresarial, lucro; tecnologia, royalties; capital físico, aluguel; capital financeiro, juros; trabalho, salário.
Desta forma, renda é o produto da remuneração dos fatores de produção, derivando daí a aplicação do termo renda para designar, de forma ampla, a renda nacional, que é o somatório das remunerações pagas pelos fatores de produção, dentro de uma Economia.
O salário, por conseguinte, é um tipo de remuneração, portanto, pode-se inferir que salário é renda, pois é o pagamento de um dos recursos de produção: o trabalho, que é cedido ou “alugado” produtivamente.

Ricardo Maroni Neto, Economista, Professor do Unifieo e do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia - IFSP, autor do Livro Manual de Gestão de Finanças Pessoais é membro do Grupo de Estudos de Comércio Exterior do Unifieo – Geceu.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cadastro atualizado do cliente: você já pensou nisso?

(*) Neide Ramos da Silva e João Batista Oliveira de Sousa
Nos tempos atuais, é indiscutível que a excelência no atendimento ao cliente final é um dos maiores diferenciais da empresa, para aumentar suas vendas e atingir o grau de satisfação do cliente. É interessante comentar que um dos principais impactos que ocorre no atraso de entrega dos pedidos, um dos pontos críticos em logística, é a falta de atualização de cadastro do cliente. Isto é algo simples, aparentemente, mas que pode causar grande impacto na imagem da empresa. A atualização envolve a participação do cliente em informar alterações e da empresa em confirmar dados como: endereço de entrega, endereço de cobrança, horário de recebimento, prazo de entrega e forma de pagamento.
O impacto desta simples falta de atualização de dados contidos no cadastro do cliente, que é um conjunto de informações sobre o mesmo, implica que o cliente não vai receber o produto dentro do prazo estipulado, que pode resultar em reclamação no SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Caso a empresa não tenha resposta rápida dentro do prazo que o SAC exige, esta reclamação poderá ser encaminhada para áreas internas como Ouvidoria, e outros órgãos de defesa do consumidor como BACEN, PROCON, gerando gastos e prejudicando sua imagem. Além disso, se o endereço não estiver bem detalhado, o transportador terá dificuldade para realizar a entrega, gerando atraso do pedido e comprometendo as demais entregas da carga, gerando um custo operacional, que poderá refletir no preço do produto.
Estes dados sobre os clientes são armazenados nas empresas em bases de dados que estão disponíveis em seus sistemas de informações de vendas. Algumas dicas interessantes: no cadastro do cliente, o número de telefone para contato também é importante, se possível informar mais de um numero. Na empresa, esta prática deveria ser reforçada com os clientes no ato da venda. Na prática da logística, quando o transportador tiver dificuldade para localizar a residência, o mesmo pode entrar em contato para solicitar mais informações do local de entrega como também auxiliar na chegada até o local. As empresas que controlam rigorosamente os cadastros de seus clientes e desenvolvem módulos de cadastros com todas as informações possíveis, podem ter comunicação antecedente quando de alguma previsão de atraso ou problema na entrega, Outra boa prática é a confirmação com os clientes, no ato da compra, de seus dados, assim caso houver alguma alteração a empresa atualizará imediatamente evitando problemas futuros, ganhando-se a confiança do comprador.
Outro destaque é que com as informações do perfil do cliente, a empresa que mantem contatos comerciais com seus clientes poderá enviar correspondência, e-mails ou comunicados de propagandas e ofertas, exclusivo para um único cliente, com isso poderá aumentar suas vendas e passar mais confiabilidade. A empresa terá perfil atualizado de seu mercado o que contribuirá para o lançamento de novos produtos e segmentação de mercado, podendo atingir seu mercado alvo. As empresas devem investir em treinamento dos funcionários e representantes, de como coletar as informações adequadas de maneira eficiente. Também será necessário um sistema de informação com objetivo de controlar e armazenar os dados. Com essa proposta é possível efetuar pesquisas no sistema dos tipos de clientes, históricos, compras e diversas outras informações uteis para uma empresa ser mais competitiva no mercado. O custo baixo destas pequenas mudanças poderá gerar resultados em curto prazo tanto na obtenção de maiores vendas como em assegurar a satisfação do cliente. Por sua vez, quando o cliente atualiza os seus dados nas empresas possibilita um pronto atendimento de suas necessidades no tempo acordado no ato da venda. Portanto, cadastro atualizado do cliente significa, em última instância, mercado maior e, em consequência, lucros maiores.

(*) Neide Ramos da Silva e João Batista Oliveira de Sousa são alunos de Pós – Graduação em Gestão da Logística Empresarial e membros do Grupo de Estudos de Comércio Exterior do Unifieo – Geceu.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O BRASIL PÓS-LULA: AINDA HÁ MUITO A SER RESOLVIDO

Em que pese o bom desempenho econômico e social do governo Lula, avalizado pela taxa de aprovação popular que supera 80% nos quesitos ótimo ou bom em relação a seu governo, inequivocamente a Era Lula (2003-2010) ainda deixa muito por fazer num país em constante construção.

Exemplos a título meramente ilustrativo: a participação do País no Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ao final de 2002, com o término do governo FHC, era de 2,81%; ao final de 2009, um ano antes de terminar o governo Lula, essa participação foi de 2,79%. A taxa média de crescimento real do PIB do governo tucano foi de 2,3%, enquanto no petista até 2009, foi de 3,6%. Hoje, 15 anos depois da chegada de FHC ao poder, a economia está pujante, mas não poderosa e o país está muito distante de ser considerado socialmente justo. Os instrumentos de mobilidade e ascensão social ainda são capengas. Nesse caso específico, o sistema educacional, elemento fundamental de ascensão, tem se mostrado ao longo desse período incapaz de promover mudanças. A taxa média de tempo de estudo por aqui não passa os 4,6 anos. Não por acaso, das 150 melhores universidades do mundo, nenhuma brasileira está entre essas. Isso somente permite aprofundar o fosso da desigualdade social. Essa estúpida marca social tem sido ajudada pela não menos estúpida carga tributária que coloca nos ombros de todos os brasileiros, em especial dos mais pobres, uma pedra de 36 quilos.

Metaforicamente, é esse o tamanho da carga tributária brasileira. Na esteira desse comentário, cálculos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que os mais ricos disponibilizam 106 dias de trabalho por ano para o pagamento de impostos, enquanto os mais pobres dedicam 197 dias para quitar impostos. Para ser socialmente mais justa, a tributação tem que ser progressiva e, não como hoje, regressiva, isto é, quem tem mais paga relativamente menos, quem tem menos paga mais. Os impostos mais expressivos em arrecadação no país, IPI, ICMS, indiretos, contribuem para isto, ao tratar os desiguais, igualmente.

No Brasil de hoje, ainda morrem, anualmente, 41 crianças menores de 1 ano de idade a cada 1000. No México, apenas para servir de base comparativa, essa taxa é de 18 por 1000, ao passo que em Cingapura essa taxa cai para 2,3.

A economia brasileira, em que pese os avanços dos governos FHC e Lula nessa área sombria e tempestuosa, ainda continua controlando a taxa de inflação com alta taxa de juros, o que é sabiamente notório ser contraproducente. Isso nada mais é que um muro elevado que se ergue na frente dos investimentos impedindo-os de seguirem seu curso normal. É fraca também a participação do país em relação aos registros de patente (inovações).

Ainda na seara do assistencialismo social, continua-se a mensurar desenvolvimento pela quantidade de dinheiro dado às famílias por meio do “Bolsa Família”. Passou da hora, em nosso entendimento, de dar um passo efetivo a frente, e trocar esse programa de assistência por um programa de geração de empregos. Dignidade tem nome e sobrenome: chama-se emprego e salário dignos; ocupação e poder de compra compatíveis com as necessidades peculiares de cada um. O que significa também encarar sem subterfúgios, a necessidade, premente, de uma reforma agrária.

Desafios esses que se mostram mais presentes pela situação que se avizinha de grande estresse nas contas do país, fruto da valorização do real e da política que se perpetua de juros reais na estratosfera, que, se tem resultados positivos imediatos no combate à inflação, por outro lado, solapa diuturnamente a estrutura econômica do país. A valorização do real extremamente danosa é erva daninha que solapa os alicerces da estrutura econômica, e que mais cedo ou mais tarde cobrará seu preço. Erro este que Lula, embora com algum atenuante, copiou de FHC.

Questão adicional que o processo eleitoral carimbou, felizmente, na agenda do país é o desenvolvimento ambientalmente sustentável. Em pleno século XXI, o país tem obrigação e as condições plenas para contribuir, com compromissos firmes e claros pelo equilíbrio do crescimento com a preservação da natureza, garantia de continuidade da vida na terra.

POR:
Antonio Carlos Roxo é economista brasileiro, com doutorado pela USP. Professor do UNIFIEO e coordenador do curso de Comércio Exterior da mesma instituição. Fundador e membro do GECEU – Grupo de Comércio Exterior do UNIFIEO. e

Marcus Eduardo de Oliveira é economista brasileiro e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO. Mestre pela USP e membro do GECEU – Grupo de Estudos de Comércio Exterior (UNIFIEO).
e-mail - prof.marcuseduardo@bol.com.br

quinta-feira, 1 de julho de 2010

EXPOSTOS PELA CRISE

Os brasileiros têm uma experiência grande em crises financeiras e econômicas que culminaram em “grandes estratégias e milagres” com planos mirabolantes em alguns casos; Plano Cruzado 1986, Plano Bresser 1987, Plano Verão 1988, Plano Collor I e II em 1990, Plano Real em 1994 e crise cambial em 1999. Este breve histórico se refere aos nossos problemas sem contar as crises econômicas que passamos por conta de outras nações.

Mas o que podemos aprender com estas crises e que nos leva a pensar em nossas empresas e finanças pessoais?

Os problemas partem de decisões equivocadas, tomadas com base em alguns parâmetros e princípios formados pelo meio em que vivemos, e assim os problemas vão se instalando sem que tenhamos condições de perceber sua chegada e tão pouco enxergar o seu crescimento.

Temos a tendência a minimizar nossos problemas e o que está por vir, dias difíceis nós iremos enfrentar, em nossos negócios, saúde, finanças pessoais ou em nossa família. O que fará a diferença é quando iremos perceber os problemas e como iremos tratá-los, pois qualquer empresa ou pessoas pode enfrentar qualquer problema se estiver preparada, para isto não podemos “dourar a pílula”.

Quando sabemos exatamente o que iremos enfrentar, podemos planejar as ações que tomaremos a frente, convocaremos nosso exército para a batalha. Aí tem outro ponto importante a aprender, não podemos ir para a batalha sozinho, devemos estar acompanhado dos melhores soldados, participar objetivos, as estratégias, permitir que alguns soldados falem e escutar.

Outro aprendizado é não deixar que o orgulho ou teimosia nos prenda em negócios, mercado a que não pertençamos, produto que não é rentável ou investimentos de nenhuma ou baixa rentabilidade. Há negócios que nos custa além de dinheiro, nosso tempo e esforço e que poderiam ter sido alocados em negócios de melhor resultado.
Buque o que é realmente importante e corte suas perdas em negócios ou produtos que não estão sendo vantajosos para sua empresa ou você. Não estou dizendo que devemos desistir ou abandonar tudo ao primeiro sinal de dificuldade ou resultados ruins.

Analisar criteriosamente todas as situações em que há perdas e se assegurar que suas atitudes são as que melhor podem ser tomadas nas circunstâncias são de fundamental importância, cabe então outro alerta, pois quando estamos enfrentando uma crise, temos a dificuldade de enxergar todos os pontos necessários.

Como vivenciamos na história econômica de nosso país e estamos vendo os fatos na Europa, não há milagre ou planos mirabolantes, mas há sim, planejamento, estratégia e ações corretivas a serem tomadas. Busque ajuda de um consultor externo, escute sua opinião e tome suas decisões

A crise nos expõe, porém nós nos colocamos nas crises.

A CARGA TRIBUTÁRIA SOBRE AS FAMÍLIAS

Sondagem encomendada pela Fiesp (Federação das Indústrias - SP) ao Instituto Ipsos evidenciou que os brasileiros não têm o mínimo conhecimento sobre o quanto pagam em impostos. O estudo revela que os tributos invisíveis, aqueles que não vêm informados nas embalagens dos produtos, representam cerca de 40% da carga tributária brasileira. Na esteira, alguns exemplos de produtos da cesta básica do consumidor chamam a atenção para o alto grau de impostos embutidos nos mesmos, lembrando que são impostos que, muitas vezes, já incidiram sobre a indústria e as empresas.

Ao todo, foram entrevistadas mil pessoas, durante o mês de março de 2010 em 70 cidades brasileiras.



Não fossem os números falarem por si e nosso choque, enquanto consumidores e empresários, talvez, fosse menor. Reparem que, os dados do estudo nos dizem que ao comprarmos uma máquina de lavar roupa, 55% do preço será dado por impostos. Ao comprarmos um pãozinho francês ou 1 litro de leite, diga-se de passagem, dois produtos essenciais da cesta básica, respectivamente 18% e 20% serão impostos!

No desdobramento do estudo, o jornal OESP em 09 de maio de 2010, tendo como fonte a Receita Federal, divulgou a carga tributária sobre as famílias em percentual do salário mínimo, como se segue:



Pelo quadro acima, nota-se uma concentração da renda no Brasil já na taxação dos seus cidadãos. Não há dúvidas das dificuldades em se promover os princípios de Neutralidade e Equidade quando se trata da implementação de um imposto. No entanto, também não há dúvidas que, baseados nos números acima, parece, no mínimo, absurdo, aceitar que um pai de família que ganhe até 5 salários mínimos, recolha ao redor de 42,5% em impostos sobre sua renda!

Ainda na leitura do mesmo jornal em parceria com a Fiesp, há a divulgação da composição dos tributos em 2009, por base de incidência na carga tributária:
Observa-se nos dados uma alta taxação sobre o consumo, a qual, certamente, não afeta apenas os consumidores. Afeta a venda dos empresários... afeta o nível de produção brasileiro pela iniciativa privada. Afeta a presença do empresário na economia.

Caro leitor, na semana passada, em artigo entitulado “E os juros voltaram a 2 dígitos”, falamos sobre a dificuldade em ser empresário numa nação como a brasileira. Agora introduzimos o mundo dos impostos.



Um fato analítico chama nossa atenção a partir daqui: por que o governo brasileiro, em todas as suas esferas, tributa tanto? E, assim como no artigo sobre política monetária, respondemos: porque o governo gasta demais e gasta mal! E lembramos outro número: para sustentar uma dívida pública ao redor de R$ 1.500.000.000.000,00, o governo precisa gerar poupança mês a mês. Isto é, ele precisa de saldo positivo em suas contas públicas mensais. Agora, se o governo gasta demais, como tornar o saldo positivo? Simples: aumentando receitas. E como se aumentam receitas? Através de um único e possível canal de política fiscal: tributação da nação.

Desta forma, o governo gasta, tributa, gasta mais, tributa mais. E, pior... Cadê os investimentos? Não há como investir quando o caixa positivo de cada mês é utilizado para abatimento de dívida pública. Isto é, muitas vezes há abatimento de juros, sem sequer atingir-se o principal da dívida. E esta dívida? Vai de vento em popa... E fica aqui nossa deixa para o artigo da próxima semana.

Por: Sandra Regina Petroncare

quinta-feira, 10 de junho de 2010

OS JUROS VOLTARAM A DOIS DÍGITOS

Sandra Regina Petroncare (*)

Em junho de 2009, pela primeira vez desde a adoção do Regime de Metas para Inflação, a taxa básica de juros da economia brasileira, taxa Selic, atingiu um dígito, situando-se em 9,25%a.a. Na continuidade do ciclo expansionista, o Banco Central manteve a Selic em 8,75%a.a. durante 9 meses, cedendo maior liquidez ao mercado financeiro nacional na esteira da crise internacional do crédito das hipotecas norte-americanas.

Como acontece com os ciclos de baixa de juros, este movimento é lento em chegar à pessoa física e pessoa jurídica através do crédito bancário, empréstimos, financiamentos, leasing, etc.

Vivemos agora uma nova rodada de alta dos juros, os quais, na última reunião do Copom-Bacen foram fixados em 10,25%a.a. Não há dúvida que a nova rodada de alta será incorporada pelo sistema financeiro – e já está sendo – já nos próximos dias. Este é um fato que o Brasil tem presenciado a cada ciclo contracionista da taxa de juros. O resultado? Sabemos: maior inadimplência do consumidor e empresas, aumento do custo do capital, paralisação de investimentos em vários ramos do setor produtivo empresarial, desemprego... Tudo devido a um fator muito simples: menor renda disponível das PF e PJ, dado o encarecimento do capital.

No entanto, se não vale a crítica ao Banco Central, ela é extremamente válida à condução da política fiscal, de responsabilidade do setor público. Vamos abrir o raciocínio. O Bacen cumpre com maestria, desde o governo FHC seu objetivo enquanto Autoridade Monetária em conter a inflação ou recrudescimento de processos inflacionários. Este é seu mandato outorgado pela sociedade, num regime de metas para inflação que preza pela transparência. Pelo lado fiscal, contudo, vemos um governo desgovernado em gastar. Aumento dos gastos discricionariamente, assistencialismo sem as programações necessárias e um discurso voltado ao crescimento da nação.

Por um lado, a atual política monetária contracionista (de aumento de juros) enxuga, hoje, a gastança do governo na política fiscal expansionista (de aumento de gastos). O que fazer? Não é tão simples quanto parece à primeira vista. Não basta o governo parar de gastar. Afinal, a injeção de renda pública na economia gera empregos e renda e qual nação não quer ambos os itens? O que falta ao Brasil é um planejamento de crescimento sustentado, sem inflação.

O país precisa oferecer condições ao empresariado, na iniciativa privada, de ser apenas “empresariado”. Isto é, observamos um ciclo vicioso, que a nação não consegue romper desde que o Plano Real fez uso de altas taxas de juros, dentre outros importantes fatores, para conter inflação.

Vejamos o que acontece do ponto de vista da nossa análise do ente público: o governo gasta demais e gasta mal (frase recorrente nos últimos noticiários!). Mesmo assim, tem conseguido poupar mensalmente. E onde está o problema? Que tal lembrarmos de uma dívida pública, quase totalmente interna, na casa, atualmente de R$ 1.500.000.000.000,00. A idéia de colocar o número por extenso é chamar a atenção do leitor para uma dívida pública federal de um trilhão e quinhentos bilhões de reais! E crescente! Afinal o Bacen subiu juros e esta dívida está nas mãos dos bancos...

É neste contexto que o governo, necessitando de financiamento mensalmente, recorre aos bancos. É neste contexto que os bancos socorrem o governo, cobrando caro por isto, afinal, é crédito para um ente quebrado. É risco! É neste contexto que brota uma das maiores raízes do spread bancário brasileiro, ou seja, temos um juros básico de 10,25%a.a. e juros mensais na PF e PJ entre 5,00% e 12,00% ao mês!!, dependendo do produto: cartão de crédito, cheque especial, empréstimos... num total oportunismo bancário.

É também neste contexto que o empresariado se vê diante de 2 alternativas nada simples: investir mais na ampliação da capacidade produtiva brasileira, correndo o risco de ter seu projeto abortado por juros altos num histórico típico de Brasil. Ou migrar para o mercado financeiro, investindo com profissionais com grande expertise, e ver multiplicar – não sem dificuldades – seu capital.

E aí está nosso ciclo vicioso: o empresariado não tem incentivos para investir na produção – e ainda nem falamos sobre impostos... Sem aumento da capacidade produtiva, a cada pequeno ciclo de crescimento do Produto Interno, o mesmo empresariado repassa preços. Com o repasse de preços, a inflação volta a ameaçar a economia. E o Bacen? O Bacen sobe juros. E o governo? Gasta e gasta mais... E a dívida pública? Vai de vento em popa. E os bancos comerciais? Cobram mais juros para financiar o governo e, por extensão, as PF e PJ. E nós, cidadãos? Temos a ilusão de um ciclo de crescimento de emprego e renda (e há um ciclo deste no momento) e já sabemos que temos que aproveitar instantaneamente, porque os juros irão subir. Simplesmente porque o crescimento do Brasil não é sustentável em 10%a.a. conforme a última divulgação do PIB, referente ao primeiro trimestre de 2010.

Bem, caro leitor, deste texto inicial, ainda puxaremos vários pequenos temas para discutirmos nas próximas semanas, especialmente, com foco em política monetária e política fiscal e para pensarmos juntos “em qual patamar os juros chegarão desta vez...”.

Sandra Regina Petroncare: CFP, Economista pela FEA USP, com Mestrado em Economia pela PUC-SP. Certificada pelo CPA-20 Anbima e pelo CFP, Certified Financial Planner do IBCPF. Atuou por 12 anos em departamentos de pesquisa econômica, prestando suporte em análise às Mesas de Operações. Também atuou junto ao ex-Ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros na avaliação de mercados para a Quest Investimentos. Professora universitária acadêmica. Também professora de Treinamento em Finanças. Atualmente professora do Centro Universitário FIEO, Escola Superior Nacional de Seguros, coordenadora do MBA em Finanças da Oswaldo Cruz e professora convidada da Fundação Vanzolini, Poli-USP.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

NÃO TROPEÇAMOS EM MONTANHAS

Não tropeçamos em montanhas, mas sim em pequenas pedras que estão em nosso caminho e este artigo tem a pretensão de estabelecer um paralelo com nossas finanças pessoais e também em nossas empresas.

Temos uma capacidade muito grande para identificarmos os grandes problemas, quanto maior ele for mais fácil ele é, pois estão visíveis aos nossos olhos, alguns podemos identificar de longe e evitá-los torna-se um objetivo claro e assim tomamos caminhos diferentes. Se identificarmos um grande problema instalado em nossas finanças, da empresa ou pessoal, colocamos todo nosso esforço para uma solução rápida mesmo que esta solução seja amarga, pois o problema deve ser solucionado, o vazamento de recursos deve ser estancado de imediato.

Como curiosidade que li na internet sobre a formação das montanhas diz que elas surgem através de movimentos de placas tectônicas que criam os terremotos, vulcões e movimenta as montanhas, fazendo estas crescerem ao longo de milhares de anos.

Esta informação me chamou atenção, pois fiz um paralelo com os grandes problemas, pois eles não começam grandes, mas surgem de pequenos problemas que não demos nenhuma ou pouca atenção.

Neste mais de 20 anos de assessoria financeira empresarial e pessoal, percebo que muitas empresas de pequeno e médio porte não têm um plano de ação, fluxo de caixa e análise de receitas e despesas. Se você não sabe de onde vêm e para onde vão seus recursos é muito complicado acompanhar o seu desempenho, medir seu progresso e planejar investimentos ou gastos.

Uma avaliação das despesas e receitas dará a oportunidade de identificar pequenos gastos desnecessários, não autorizados ou incompatíveis com os recursos disponíveis, clientes deficitários ou inadimplentes ou receitas possíveis, porém não trabalhada.
Estas pequenas perdas são vazões que acontecem na maioria das empresas e em nossas finanças pessoais, que se não são bem tratadas podem se tornar problemas maiores e generalizados, e de difícil solução.

Um planejamento dos recursos e gastos em que você busque com determinação o seu acompanhamento, será possível saber para onde ir, ter alvos e assim canalizar suas energias, identificar as circunstâncias antecipadamente e reagir a elas.

Um planejamento fará com que você assuma o controle sobre suas finanças e atividades, tornando-se pró-ativo e não reativo.

Tentar resolver os pequenos e grandes problemas financeiros da sua empresa ou pessoais da maneira mais rápida e sozinho poderá ser uma maneira rápida de frustrar a si mesmo e todos os que estão à sua volta, família ou funcionários. Busque ajuda de um profissional qualificado.
Contato: info@corporatebr.com.br